sexta-feira, 2 de abril de 2010
A bicicleta
Eu tinha uma bicicleta vermelha que comprei de segunda mão na feira em Cupira. juntei dinheiro três anos. Eu a chamava meu jegue. Quando estava na frente da casa de alguém, deixava o jegue estacionado e dizia: meu jegue está aí na frente. andava trinta, quarenta quilômetros por dia com ele. Tinha uns óculos escuros, tipo Beatles e sempre estava ouvindo Renato Russo. Era difícil chorar ainda... Vendi a bicicleta e fui para São Paulo. Trinta reais. Nós tínhamos dez contos no bolso e o sonho do meu irmão. Eu não tinha nada. Eu era como o espectro de alguma coisa se movendo, mas só senti que estreei, uns sete, oito anos depois. É que eu preciso de muito tempo para construir meus sonhos... As coisas acontecem devagar, é preciso que cada célula minha se contamine com a idéia, até eu ser capaz de comê-la. Sou antropofágica por natureza. Acredito na consubstanciação. Acho que por ter sido criada numa família católica, quem sabe... Eu subi naquele ônibus da Itapemirim: Simone estava lá, Bete, Wilma, minhas tias, meus amigos mais chegados. Meu coração era uma fita de Juazeiro do Norte. Eu não sabia o futuro, eu não tinha sequer esperança. Mas meu irmão sonhava a grandeza e a cidade e eu fui por amor a ele. Bem, o amor é uma coisa engraçada! A cidade acabou com o nosso... E eu, voltei pro mato! Amém!
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